Existem
duas alternativas para a abordagem das cartas do Tarô.
A abordagem histórica, basicamente fatual
e concreta, o a abordagem psicológica, basicamente
arquetipica.
Com a primeira, podemos explicar as origens
e as primeiras intenções das cartas.
A segunda, porém, conduz a uma
questão de fascínio eterno, a psique,
muito embora sejamos atualmente bastante desenvolvidos cientificamente
e dotados de conhecimentos muito profundos.
No mundo da psique, as experiências não
estão ligadas pela casualidade, mas pelo significado. Existem
outros padrões, que não os concretos, operando dentro
de nós e, a menos que possamos compreender alguma coisa sobre
a psique, as estranhas coincidências das cartas do Tarô
poderão se apresentar diante de nós como altamente
assustadoras ou mesmo profundamente perturbadoras.
As ligações entre os fatos de nossa vida cotidiana
e o Tarô não existem porque as cartas sejam mágicas,
mas sim porque há um significado associado.
É o que queremos dizer com o nascimento, a morte a a puber-dade
enquanto experiências externas e internas. Deparamo-nos com
essas experiências em diferentes níveis e em diferentes
momentos da vida e dessa maneira haverá sempre uma carta
do Tarô que poderá descrever cada uma delas e que irá
aparecer misteriosamente num jogo, sem qualquer motivo aparente,
num momento em que estejamos experimentando, talvez interiormente,
aquela situação arquetipica.
Dessa maneira, a forma como o Tarô opera
com relação à previsão nada
mais é de que uma espécie de espelho da psique.
A natureza arquetipica das imagens aciona um reflexo no intérprete
que vislumbra uma situação talvez desconhecida, uma
espécie de insight, em relação ao consulente,
revelando, assim, aparentemente, coisas que não poderiam
ocorrer ou aparecer em nenhuma outra circunstância racional. |